quinta-feira, 26 de maio de 2016

Beijo de boa noite



Ele chegou vacilante
despejou seu abraço tranquilo
como quem evita um abismo.
Seu olhar longínquo, de semblante triste,
enxergou a própria alma e sorriu.

Me sorriu, pois, com os olhos.
E com a alma também.

Ilka Souza

Busca



Leio meus poemas em busca de quem eu era.
Este eu correu tão rápido,
Que escapou às minhas vistas,
Escapuliu por meus ouvidos,
Cavou caminhos bem escondidos.
Creio eu, fugiu de mim
Em/de todos os sentidos.
Sigo pistas, caço rastros
Dou passeios desgastados
Como pode [posso] eu
Me deixar assim no vácuo?

Ilka Souza


[Poema feito numa madruga, ouvindo Eric Clapton - BB King -Crossroads 2010 – Live, depois de um dia sem concentração e tentativas frustradas de estudar o que mais gosto sem entender porcaria nenhuma do que quero pra minha vida].

Binarismos

Eu sou flor,
Tu és vento.

Tu precedes tempestades

Eu sou cor, também sou cheiro,
Fui plantada a pés descalços.

Só que, tu...
Que fazes tu?

Tu invocas sobressalto

Há sol forte o ano inteiro
Confundindo nossos passos.

Sou primavera,
Tu, outono.

Já me basta,
De verdade.



Ilka Souza 

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Havia uma flor

Havia uma flor.
Como eu diria? Tão rosa...
Carregada na mala de um viajante das horas.
Precisava de zelo, a singela da rosa
Mas não era notada, pois corria o tempo!

Segundos travessos passeavam em volta,
Minutos apressados os guiavam afora,
Mas ao adentrarem, juntos, o infinito [do tempo!],
O ponteiro da hora esbarrou foi num beco
Estreito e sombrio, o avesso da aurora.

E assim ressecavam suas pétalas caídas,
[pobre da rosa]
A chuva por vezes lhe regava por pena...
Ansiava o dia que
[talvez]
Por olhos perdidos
Fosse, ela, encontrada, no intervalo das horas.


Ilka Souza

Aurora




Teve chuva de janeiro
Teve flor
Que haja amor.


Ilka Souza


(01/01/2016)
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