sábado, 11 de janeiro de 2014

Desvio

[SOL_POENTE.jpg]
Sol poente - Tarsila do Amaral




A amplitude abstrata dos pensamentos vazios
Preenche mentes
Desfaz caminhos.

Ecos...

Que propagam o “não saber”,
O “não fazer”,
O “não saber o que querer”.

O tal “nada” é tão cheio de “tudo” que periga implodir;
Ai do corpo que não sabe lidar:

- Insanidade! - Poderão diagnosticar.

A impotência de entender pensamentos alheios
Faz-me perceber que cada um tem o seu caminho
Os encontros é que são consequências de um eventual desvio.

Ilka Souza

sábado, 16 de novembro de 2013

Fones de ouvido



Aconchego, energia, calma, nostalgia...
Ondas sonoras de textura doce.
Vozes ficam ao léu. Dissipam-se. Confundem-se...
Aos poucos, sem rastros, diluem-se.
Pés pairando no ar sobre imagens comuns que inspiram,
Gestos com ritmo inexato...
Num paradoxo agora caio:
Mergulho em meus pensamentos para que, logo, eu possa deixá-los.
Mente vazia é um céu particular mesclado a um belo sonho...
Mas acaba-se quando se vai...
A bateria do celular. 

Ilka Souza


segunda-feira, 8 de julho de 2013

Leve




Leve embora a leviandade
E deixe, aqui, fluir minha vontade...

Que é leve,
         
                      Tão leve,

 Que escorre pela pele.

Ilka Souza

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Ciclo ocioso



Sem conseguir distinguir o que quero,
Quando quero
E para que quero,
Construo e desmantelo.
Quero o que escrevo.
Escrevo o que percebo,
Os fatos atropelo,
Contra o mundo me rebelo!

Mas cadê o meu espelho?
Não há inspiração no que expresso.
Com a verdade, suponho ter um elo.
Porém, não enxergo o meu reflexo...
Esta realidade não me convence.
Onde estão as respostas para as minhas dúvidas?
São, pois, tão provocantes que às vezes duvido que sejam puras;
São cruas, me machucam por serem assim, tão duras.

Acredito que  a solução seja um abraço,
Daqueles..., como digo? Bem apertados!
Onde o seu sorriso me recorde a lua,
Onde dentro de mim eu encontre a tal cura
Desta confusão em que se encontra a minha...,

Ahhh! E  assim recomeça o velho ciclo,
Com que palavra terminar o verso escrito?!                            

 Ilka Souza


quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Recorte



Junto com as gaivotas que sombreiam a bola dourada, voa meu pensamento.
Descendo na chuva, misturando-se com as águas, dissipa-se, ele, neste momento.
Ouço o murmurar do vento,
Rebento,...
Mergulho em águas geladas,
Acordo.
E, a divagar sozinha no profundo do tempo,
Recordo.
Me mostro,... Recuo, não gosto!
Puxo pelo fio da memória e recorto!!!
Findo o infindável de uma forma invejável...

Por: Ilka Souza e Melina Fraga

(10-01-13)

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Aroma




Sinto o aroma de flores
Mais um ciclo primaveril, vou fechando
Continuo procurando o caminho, sigo andando.
No passado, deixo velhos rancores.

Quatro estações sucederam-se
Cada uma com seu tempo infinito
Cada uma, com uma memória esvaindo-se.
Mas, o aroma de flores, ainda sinto.

O verão dissolvendo-se em lembranças,
O outono desconcertando-me em fortes ventos
Só me deixaram a breve esperança
De, no inverno, não afogar-me em lamentos.

Ah! Doce aroma primaveril,
Sinto que me levas a novos sentidos,
Rogo que me guies a novas estradas.
No fim, te direi que não mais inspiro
O mesmo aroma de flores, em minhas passadas.

Ilka Souza

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Nos meus olhos





Veja-se, não como um mero reflexo da máscara em que você se encobre,
Mas, sinta-se despido.
Note-se inteligível, límpido.
O movimento dos teus lábios,
O tremor da tua voz,
O piscar dos teus olhos,
As particularidades dos teus gestos,
Veja-os no reflexo.

Sinta-se amado
Ou mesmo odiado
Perceba-se ferido
Possivelmente ferindo.
Podes ser querido,
E até mesmo esperado,
Provavelmente estarás afastado.
Não me importa o teu estado.

No fim, és antiquado,
Antigo, contrário.
Ainda assim amado, ou seria, estimado?
Não vês o quanto és notado?
Não ouças!
Não precisas que eu argumente.
Leia os meus olhos,
São apenas reflexos de minha mente.


Por: Ilka Souza

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Lua


Lua


A lua me sorriu hoje.

Sua luz amarelada advinda dos raios de sol
Os meus olhos encontrou.
Na noite escura, com sua beleza,
Se destacou.

A lua, para mim, sorriu.

Através do movimento das nuvens
Incisivamente ela brilhou,
Durante o farfalhar das árvores,
Meu caminho iluminou.
Tomou as vestes de astro, o travesso satélite
E como quem se diverte
Sua luz, em mim, despejou.

Rotina estressante,
Ostracismo constante,
Silêncio gritante,
Tudo subitamente se abrilhantou
Ao mesmo tempo em que o mal, por um instante, se apagou.

A lua sorriu para mim hoje
E, com ela, o meu sorriso brotou.

Ilka Souza

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Refúgio

Já disse o mestre filósofo:
-“só sei que nada sei”,
E eu, por minha vez, o que posso dizer-te que sei?

Este tal espírito prático
Que tanto assombrou Cecília*,
Que tanto faz as coisas parecerem difíceis,
Inviáveis e impossíveis
Espero que não me persiga,
Espero que ele não consiga
Fechar os meus olhos de vez.

Os sons que por vezes me irritam
Habitam os mesmos lugares que amei.
Lugares por onde passei,
Onde o meu sorriso deixei.
Será que devo fechar-me?
Ou esperar que minha sutileza seja notada?
Sutileza presente nos atos,
Não precisamente em palavras.

Nas palavras encontro a intensidade desejada,
Encontro delicadeza precisa
Escrita num emaranhado de páginas.
Palavras que borram com a água salgada
Nascida nos meus olhos e que embaça minha visão.
Lágrimas,
Despertadas com as palavras
Lidas até então.


Ilka Souza
*Referência ao Espírito prático presente na crônica Imagem, de Cecília Meireles.