quarta-feira, 22 de junho de 2011

É mais fácil...

Não querer-te,
Não em ti pensar,
Não amar-te,
Não te ver.
Assim não corro o risco de...
Achar que te quero,
Pensar que em ti penso,
Acreditar que o amo,
Mergulhar em teus olhos e
Ver o quanto isto é insano.
Sim, é mais fácil não querer-te.


Por: Ilka Souza

sexta-feira, 20 de maio de 2011

O sorriso de Helena


Era uma quente tarde de verão. Ela estava parada lá, de frente ao espelho, olhando sua aparência normal e depreciada. Não era feia, fato, mas também não era linda. Normal, apenas normal. Constantemente debruçava-se sobre livros, se perdia em suas histórias, comia, banhava-se, preparava-se e saia para trabalhar. Voltava para casa e tudo se repetia, não havia ânimo, não havia alegria, só existiam os dias e ela apenas os observava passar.

Contudo, naquela tarde tudo mudaria.

Na rotineira ida ao trabalho enquanto caminhava, Helena avistou-o. Seria realmente ele? Ela não tinha certeza. Apertou os olhos e o encarou, era ele mesmo. Não podia ser, ele teve a coragem de aparecer por aqui? Então, ele a viu. Ficou um pouco desconfortável, mas logo recompôs sua expressão e veio cumprimentá-la. Helena disfarçou sua abominação, respirou e sorriu. Ela sabia o que ele fizera, ninguém conseguira provar, mas ela sabia.
Então, Helena e Paulo estabeleceram um diálogo, até riram juntos, foram num bar próximo e tomaram um drink. Com o passar do tempo, ela notou uma sucessão de olhares significativos lançados por ele. Seria sua chance? Ela apenas sorria. Ao terminarem a bebida, despediram-se e ele a convidou para jantar naquela noite, ela aceitou.
Não foi trabalhar naquele dia, voltou para casa. Produziu-se, olhando-se no espelho poderia até se considerar mais bonita do que de costume. Deram 21:00 horas, a hora marcada,e ele ainda não chegara. Será que não viria? 21:15 e os olhos no relógio, será que perderia sua única oportunidade? 21:30 a campainha toca. Ela se recompõe. Abre a porta.
Ele estava belíssimo, seria impossível ignorar. Chegando ao restaurante, muito fino, diga-se de passagem, sentaram-se numa mesa e fizeram o pedido. Jantaram, conversaram e conversaram, quando ela deu por si já estavam na casa dele.
- Eu sempre soube que você me queria - disse ela, com um olhar sedutor. – Só andava com meu marido por esta razão.
- Ah soube? Mas você nunca me demonstrou isso.
- Bem, agora estou fazendo mais que isso não é?
- Estou vendo. – Disse ele beijando-a.
- Por isso você o matou não foi? – Perguntou Helena.
Ele parou um pouco e olhou-a. - Como você pode dizer uma coisa dessas?
- Ah, admita. Na verdade você apenas me fez um favor, se você não fizesse, eu mesma o faria.
Paulo olhou-a um pouco desconfiado, mas manteve-se calado. Helena tornou a beijá-lo.
Então, sem que ela esperasse, ele a puxou para si com mais força.
- Sim, eu matei aquele idiota. Sempre sonhei em ter de você o que estou tendo agora!
A noite seguia. As luzes se apagaram.
Naquela manhã, debruçada no sofá, uma xícara de café de um lado, o jornal do outro, ela ouvia o noticiário: “Homem é encontrado morto com facada no peito em seu apartamento. Não há suspeitas sobre quem cometeu o crime (...)”.
Helena comeu, banhou-se, se vestiu e foi trabalhar, sua rotina seguia normalmente. Só havia uma diferença: agora ela sorria.

Por: Ilka Souza



Monocromático


Ela andava sozinha naquela rua vazia.
Tão vazia quanto seu eu, depois daquela noite tardia.
De um colorido invejável,
Seu coração dilacerado, agora apenas monocromático
Batia.
Apenas batia.
Será que pararia?
Ela não se importava.
Seguia.
Apenas seguia.
Ao adentrar sua casa,
Uma velha e comum umidade lhe preenchia a face.
Não havia mais fotografias
Ela rasgara.
Não havia mais familiaridade alguma,
Ele a tirara.
Com um breve lampejo ela lembrava
Quando por uma velha e pequena jóia
A vida de sua mãe lhe fora arrancada.


Por: Ilka Souza



terça-feira, 3 de maio de 2011

...

Ânsia. Luta.
O sabor da busca.
Desespero de desejos?
Felicidade nos êxitos?

Mas não sei o que anseio...

Os sonhos se confundem
Enquanto oportunidades surgem,
Mas será o caminho certo?
Ah,
O futuro é tão incerto!
Dai-me Pai uma dose de coragem,
Apenas uma,
Para que as estradas não me devorem, afinal,
estou sem rumo em um mundo de apuros!
Sentimentos...
Basta que fluam.


 Por: Ilka Souza

domingo, 17 de abril de 2011

Corre, só corre

Eu o olho
Ele impiedosamente se move
A escolha está a um passo
Mas o tempo, deliberadamente, corre
As opções me devoram
Minh’alma discorre
Num tic-tac uniforme, o tempo
Ele corre.
No avançar dos minutos
Me vejo no fim do mundo
Enquanto todos aguardam
Eu me mover num segundo.
Sigo.
Os ponteiros disparam,
As horas se passam,
O relógio trabalha
Enquanto ele corre,
Só corre
O tempo...
Me socorre.


Por: Ilka Souza

(Primeiro poema que eu entreguei na aula de prática I, no curso de letras da UPE...há poucos dias)

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Alívio

Aceite!
Vá!
Faça!
Tente!
Minha cabeça ninguém entende.
Enfim,
Eu digo:
- NÃO!
Aaah!
É um alívio.




Por: Ilka Souza

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

sete de fevereiro de dois mil e onze.

Sabe o que é melhor do que lembrar momentos bons?

Repeti-los.

Principalmente quando se trata dos amigos.

Podemos viver dias sombrios, fases inacreditavelmente infelizes e perdidas, mas quando se tem ao lado o sorriso daqueles que te querem bem, tudo se transforma.

Conversas, fotos, fofocas, comilança, sorrisinhos e muito BLÁ BLÁ BLÁ... Todo mundo precisa disso uma vez na vida, nem que seja anualmente. Acho que isso impede que nos afastemos do que nos faz tão bem pelo simples comodismo da preguiça e ocupação (tá não é tão simples assim, admito), mas é algo que pode ser contornado, principalmente quando estamos perto de vivenciar novas e desconhecidas fases em nossas vidas.

Dias como estes nos fazem dormir felizes e agradecer cada vez mais à vida, por tudo o que fomos, somos e seremos, e principalmente às pessoas que fazem de cada uma destas fases tão especial.

Passamos um dia de “turista” em nossa cidade mãe, afinal, todo Recifense é um eterno turista em suas origens!


Por: Ilka Souza

sábado, 15 de janeiro de 2011

O meu sossego não se manifesta

Minha falta de vontade não se distrai.

Queria poder sorrir internamente,

Já que o externo se tornou comum demais.


Por: Ilka Souza

domingo, 28 de novembro de 2010

Decepção.DOC

Alegria, ansiedade, idealização...
Tudo isso precedeu os momentos em que eu me deslocava à Livraria Saraiva.
Conseguir uma foto com meu ídolo, dar um abraço, perceber que ele é de carne e osso assim como eu, dizer o quanto eu o admiro e o prestigio.

Isso estava tão perto de acontecer.

Eu estava no mesmo lugar que ele, separados apenas por uma fila (diga-se de passagem, enorme), e o vidro do auditório.
Mas eu tinha ido para conseguir, não importava o que viesse a enfrentar.

As horas se passaram, e eu me vi duas horas em pé, com CD e câmera nas mãos...

Chega um dos organizadores e anuncia que as fotos passarão a ser feitas em grupos, por mim tudo bem, tinha ido com uma amiga mesmo.
Os minutos se passam e o indivíduo retorna, anunciando que teríamos que escolher entre fotos ou autógrafos, por causa do tempo. Tudo bem, ainda assim eu chegaria perto dele.
Da próxima vez que ele apareceu já disse que só viriam fotos, o que irritou bastante minha amiga, que desejava um autógrafo.

Enfim, minha esperança demora um pouco a se tocar, portanto ela ainda permanecia em mim.

Até que,

Na ultima vez em que aparecera, o encarregado da produção acabou com a nossa alegria:

-Lenine vai embora, o vôo adiantou.

Como assim Brasil, o vôo adiantou?!

Toda a ansiedade que tomava conta de mim durante a semana se transformou numa profunda decepção e tristeza.
Ainda cheguei a vê-lo, bem na minha frente (educadamente desculpando- se com o público), mas logo os flashes tomaram conta e ele desapareceu em meio à multidão.

Não abracei meu GALEGO,
Só me resta escutar o CD novo que adquiri!
Na próxima vez eu consigo...
Há se consigo!

Por: Ilka Souza

(Créditos a Mariane Monteiro, que me acompanhou nessa triste jornada e sugeriu o título do post).

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

medo.

Medo de sorrir,
Medo de amar,

De correr atrás dos sonhos,

Começar,
Recomeçar.

Medo do futuro presente,

Do que está adiante,
Do que não se pode adivinhar.

O que me espera?

Solução,
Realização ou
Decepção?

Suponho que, para começar,
Basta-me a idealização.

Por: Ilka souza

(Imagem: O Grito, de Edvard Munch)

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Não há palavras!

Já se passaram três dias e ainda não me recuperei totalmente do show ocorrido no dia quinze de outubro de dois mil e dez.
Como assim passou tão rápido? Foram meses e meses de idealização.
A sensação de ter estado lá não cabe em palavras. A energia que se passou entre banda e público foi tão contagiante que, se houvesse alguém que não fosse fã por lá, se tornaria na hora.
Sim, passei três horas, ou mais, em pé. Sim, o show terminou rápido demais para o que eu esperava, e sim, eles não tocaram todas as músicas que eu planejava, mas...
EU FUI AO SHOW DOS LOS HERMANOS,
eu estava Lá!
E isto supera qualquer crítica ou o que quer que seja que tenha acontecido.
Eu senti de perto o que eu só pude sentir, em parcelas, quando ouvia um cd ou assistia a algum dvd.
Eu pude sentir as letras e os arranjos percorrerem a minha pele, enquanto de olhos fechados cantava as músicas, emendando no coro daquele público apaixonado.
Los Hermanos, Recife ama vocês...
eu amo vocês.


Vídeo: A Flor

http://www.youtube.com/watch?v=AJALuKYRyPY

Por: Ilka Souza